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Mídia | Notícias
09.09.11 - Artesãos visitam a Estação Ecológica do Taim
Parceria entre Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Associação garante inclusão dos Bichos do Mar de Dentro na restauração do museu.
Integrantes do Grupo Bichos do Mar de Dentro conferiram na vida real algumas espécies da fauna gaúcha que eles diariamente transformam em arte, mas que só conheciam por fotos ou bibliografia. Na última quinta-feira, eles fizeram uma visita-técnica à Estação Ecológica (ESEC) do Taim em Rio Grande e puderam constatar na prática a importância social e ambiental do trabalho que realizam. Durante o passeio, souberam da parceria estabelecida entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Artesãos do Bichos do Mar de Dentro para participarem da restauração do museu da unidade com peças produzidas por eles. “Há muito tempo estou de olho em vocês”, contou o chefe da ESEC, Henrique Ilha. Segundo ele, além de gerar renda,o artesanato do Bichos contribui de forma efetiva para conscientização ambiental. “A qualidade do material que vocês produzem, estimula que mais famílias levem a natureza para dentro de casa”, reforçou.
Ao visitar o museu mais uma surpresa. “Ela tem um narigão mesmo”, constatou impressionada Naira Amaral, ao encontrar um exemplar da Cobra Nariguda, que ela reproduz em biscuit. Por algum tempo, observou atentamente os detalhes do animal. Atenta a tudo, Naira também notou que o Mão Pelada empalhado era diferente do modelo que ela seguia. Perguntou desconfiada: “A cor dele está diferente. Cadê a “máscara” que eles tem ao redor dos olhos?”. O ecólogo e analista de Sustentabilidade da Fibria/Unidade Capão do Leão, Reges Echer, explicou que o processo de Taxidermia pode mesmo causar alterações nas características da pelagem. Ponto para a Naira.
Do museu, o grupo partiu para observação de capivaras, jacarés, tartarugas e aves que tomavam banho de sol no banhado bem próximo da sede da ESEC. Os visitantes ficaram surpresos ao saber que, em média, 700 animais por ano são mortos na BR 471, ao longo dos 17 quilômetros da reserva. “É mais fácil educá-los para não atravessar a faixa do que conscientizar os humanos para não correrem”, brincou o artesão José Carlos Neutzling. No Taim, há mais de 200 espécies de vegetais, que convivem com 220 espécies de aves, 21 répteis, 8 anfíbios, 51 peixes, 28 mamíferos e diversos crustáceos, moluscos e insetos. Atualmente, a Estação abrange cerca de 11 mil hectares e está em processo de ampliação para 33 mil.
A programação incluiu ainda um passeio pela Trilha da Capilla, um roteiro histótico-cultural junto à praia da Lagoa Mirim, onde foi possível conhecer a comunidade de pescadores, a estrada Real e a capela Nossa Senhora da Conceição e as falésias. “Moro em São José do Norte e nem imaginava que isso aqui existisse”, confessou Marisete Freitas Rocha. Para ela, o passeio serviu para reforçar o valor da ecologia. “É bom saber que nosso trabalho está ajudando na preservação do meio ambiente para as futuras gerações”.
Na prática, isso já vem acontecendo. Vera Maria Fonseca, do núcleo de Pelotas, que produz niqueleiras de tecido, chaveiros e colares, avisou a neta que conheceria as capivaras de perto. Saiu de casa com encomenda inusitada da neta de cinco anos: “vó traz uma pra mim?”.
Bichos do mar de dentro
Criado em 2004 e formado por artesãos de Pelotas, Rio Grande, São José do Norte, São Lourenço e Arroio Grande, o grupo integra o projeto Artesanato do Mar de Dentro, coordenado pelo SEBRAE-RS com apoio financeiro da Fibria.

