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Atualizado em 20.07.2010

Mídia | Notícias

01.06.10 - Estudantes da UFSM visitam pesquisa em Candiota

Resultados parciais da pesquisa Monitoramento dos fatores de produção em um sistema agroflorestal na Metade Sul do Rio Grande do Sul foram apresentados na semana passada a alunos do nono semestre do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e técnicos da Fibria. O grupo pode conhecer na prática os estudos que estão sendo realizados em plantações de eucaliptos, desde 2005, na Fazenda Aroeira, em Candiota, a 400 km de Porto Alegre.

O trabalho faz parte de uma pesquisa realizada em parceria com o Instituto de Estudos de Solos e Nutrição de Plantas da Albert-Ludwigs-Universitaet Freiburg, de Freiburg na Alemanha. Tem por objetivo realizar, durante sete anos, uma série de levantamentos por meio de novas tecnologias de monitoramento ambiental de plantações de eucalipto em consórcio com a agricultura, pastagens e animais. Os equipamentos são de procedência alemã e inglesa e o custo estimado do projeto é de 200 mil dólares até o ano de 2012.

Para o estudante Gustavo Fernandes da Silva valeu à pena viajar 340 quilômetros de Santa Maria até Candiota para participar do encontro Técnico Científico. No último ano da faculdade, ele ainda não havia conhecido um plantio comercial de eucaliptos. “A pesquisa e toda a estratégia de conservação, mostra que a empresa está preocupada em produzir, causando o menor impacto possível ao meio ambiente”, revelou. “Essa interação entre o setor florestal e universidade é fundamental para ampliar os conhecimentos e preparar os futuros profissionais do setor”, reforçou o professor e doutor Mauro Schumacher, da UFSM.

Resultados Parciais

Na área da pesquisa, o professor Schumacher detalhou os equipamentos utilizados para avaliar a quantidade de precipitação fora e dentro do plantio de eucalipto. No local, existem coletores para avaliar a quantidade de água da chuva que escorre pelo tronco dos eucaliptos e centrais de lisímetros que são utilizados para coletar a solução do solo.

Os resultados apurados até o momento evidenciam que quando a água da chuva toca as copas das árvores, ocorre um enriquecimento de elementos químicos, principalmente do elemento potássio (K) que é levado das folhas do eucalipto para o solo. Segundo o pesquisador, esse processo é muito importante para a manutenção da ciclagem de nutrientes em plantios com espécies arbóreas de rápido crescimento. “Assim que a água enriquecida com nutrientes toca o solo, uma rede de raízes finas (inferiores a dois milímetros), que se encontra na sua maioria nos primeiros 10 cm do solo, absorve os elementos e os redistribui novamente para a planta auxiliando no seu crescimento”, explicou.

Os alunos também puderam conhecer os coletores de serapilheira (folhas, cascas, flores e frutos) instalados no interior do plantio de eucalipto. Caixas com 0,5 metros quadros de área coletam o material que é desprendido da copa das árvores e se acumula sobre o solo. Com base no material recolhido, já é possível diagnosticar que o eucalipto possui uma adaptação a períodos de baixa precipitação e, por sua vez, diminuição dos teores de umidade do solo. Isto quer dizer que na falta de água, ele devolve uma maior quantidade de folhas para manter seu crescimento vegetativo em equilíbrio com as condições ambientais. “As folhas e resíduos devolvidos ao solo são importante fonte de nutrientes para o eucalipto, principalmente cálcio, nitrogênio e potássio”, complementa o professor.

Houve ainda demonstração do sistema que avalia a umidade do solo no interior de uma plantação de eucalipto e em uma área de campo. Sondas instaladas a 10, 20, 30, 50 e 80 centímetros de profundidade enviam, a cada 10 minutos, dados a um Data-logger que armazena os resultados e faz uma média a cada 60 minutos. Durante o período de estudo, já foram coletados e analisados mais de 800.000 dados de umidade do solo.

Entre os resultados parciais obtidos pela equipe do professor, também é possível afirmar que o teor de umidade do solo em área com eucalipto e campo está relacionado principalmente com a cobertura vegetal, a quantidade de precipitação e a profundidade do solo. “No primeiro ano de cultivo, a umidade foi maior na área do eucalipto do que em relação ao campo. Isso pode ser atribuído ao fato de que nessa fase ocorre menor evapotranspiração por parte do eucalipto, ele sofre controle da matocompetição (ervas daninhas) e também pela interceptação da água pelas folhas ser praticamente insignificante. Mas esse quadro inverte a partir do segundo ano de cultivo, quando a interceptação é significativa e a evapotranspiração das árvores é maior do que no campo manejado”, relatou.

E quanto à crença de que o eucalipto seca o solo? De acordo com Schumacher, o que se pode comprovar até agora é que a umidade do solo dentro da floresta é menor. Isto pode ser atribuído pela interceptação da água da chuva pela copa das árvores. Os resultados evidenciam que quando ocorrem pequenas precipitações, a umidade nos primeiros 10 centímetros do solo é menor no eucalipto, devido à maior interceptação (atualmente aos quatro anos a interceptação média é de 12%) e mesmo evapotranspitação das árvores. No caso de precipitações mais intensas, a umidade no solo do campo não difere da do interior do plantio de eucalipto. Tal tendência também foi verificada em estudos científicos realizados no Espírito Santo, região de Aracruz, quando foi comparada a variação da umidade do solo em plantio de eucalipto e floresta pertencente à Mata Atlântica.

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