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Atualizado em 20.07.2010

Mídia | Notícias

19.02.10 - Encontro debate a produção de mel em florestas de eucalipto

Manejo inovador já apresenta resultados positivos. Apicultor  de Bagé obteve maior produtividade nas colmeias instaladas em áreas de reflorestamento.

CAPÃO DO LEÃO, 19 DE FEVEREIRO DE 2010 - Produtores rurais e apicultores do Uruguai, da Argentina e de diversas localidades da Metade Sul trocaram experiências ontem (sexta-feira) no Núcleo de Educação Ambiental (NEA) da Fibria em Capão do Leão. Em parceria com a Fundação Centro de Agronegócios (CENAG) e a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), a empresa realizou o encontro Apicultura - Novos Desafios para debater a produção sustentável de mel e de produtos derivados junto aos plantios de eucaliptos. A iniciativa faz parte do Projeto de Estruturação e Gestão da Cadeia Produtiva de Apicultura, que busca estimular o uso múltiplo das áreas de florestas plantadas, proporcionando maior diversificação das atividades econômicas e geração de renda.

Segundo o diretor-presidente da CENAG, o professor Eduardo Osório, os apicultores gaúchos ocupam apenas 20% do potencial produtivo desse mercado. "Enquanto no Rio Grande do Sul se produz, em média, menos de 20 kg de mel por colmeia, no Uruguai essa produção é de 50 kg e na Argentina, os melhores produtores, chegam a 100 kg", explica. Para ele, hoje, o maior desafio do projeto é mudar o modo tradicional de produção, que utiliza pouca tecnologia e apresenta baixa produtividade.

Fabiano Barcelos Rockenbach, de Bagé, apostou no novo manejo e está se dando bem. Há sete anos, ele deixou de ser empregado para investir nas suas próprias caixas de abelhas.Dos R$ 5 mil investidos em colméias no início do negócio, hoje já contabiliza R$ 150 mil. No ano passado, suas 1.300 colmeias produziram 20 toneladas de mel. Desse total, 15 toneladas foram produzidas nas 300 caixas instaladas nas florestas plantadas de eucalipto da Fibria, em Candiota.

O apicultor bageense credita o bom resultado ao novo método de produção e à floração do eucalipto, que, segundo ele, requer muito mais cuidado, mas, em contrapartida, garante maior produtividade.  Desde que ingressou no Projeto de Apicultura, promovido pela Fibria, sente-se mais seguro, tanto que reinvestiu 70% da produção passada no negócio. "Hoje, com a orientação técnica da CENAG, trabalho com os pés no chão", afirmou. A meta do jovem empreendedor de 29 anos para 2010 é de produzir, no mínimo, 20 toneladas só nas áreas de reflorestamento da empresa. Entre as orientações técnicas do Projeto de Estruturação e Gestão da Cadeia Produtiva da Apicultura, estão a troca periódica de rainhas, a substituição de cera, o controle sanitário, a suplementação nutricional, a rastreabilidade e a logística.

Após os depoimentos dos apicultores engajados na iniciativa, a médica veterinária Mara Rubia Pinto, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), falou sobre nutrição apícola. Ela destacou a importância da suplementação alimentar na produção profissionalizada para garantir o fortalecimento e crescimento do enxame. “Em média, a abelha rainha consome de 20 a 40 kg de pólen por ano. Porém, às vezes, por indisponibilidade de mel e pólen ou problemas climáticos, essa quantidade não é encontrada na natureza. Nesses casos, é preciso então recorrer ao uso racional da alimentação protéica”, esclareceu. Também palestraram o apicultor Diego Charbonnier Cazola, da Cabanha Rincão de Palácio, do Uruguai, o professor da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Aroni Sattler, que também representou a CBA, e o consultor apícola Gustavo Zapata Reboulaz, que tratou dos desafios da apicultura no mercado nacional e internacional.

Entre os 70 participantes do encontro, estava o apicultor argentino Ruben Schimpf, de Entre Rios. Ele tem uma empresa familiar e trabalha com mel há 20 anos. Produz, em média, 180 toneladas de mel e cera por ano e exporta toda a sua produção para o Marrocos, Espanha e Alemanha. Schimpf  gostou do que ouviu. "Sou um apaixonado da abelha. Vim até aqui para enriquecer meus conhecimentos", explicou.

Segundo o coordenador do Projeto de Apicultura, o professor João Carlos Deschamps, da CENAG, os próximos passos para dar continuidade ao processo de formação da cadeia produtiva é implementar o sistema de rastreabilidade e também de gestão do próprio negócio.

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